segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


“Aconteceu um prodígio durante a minha temporada escolar; e aconteceu tão repentinamente que ainda considero tal hora como uma hora de revelação. Foi num bonito dia de amena primavera, quando o ar estava repleto de cantos de pássaros e as cegonhas recompunham seus belos ninhos nos telhados dos casebres de barro. As águas haviam descido e novos rebentos verdes emergiam do chão. Em todos os jardins que tinham recebido sementes plantas brotavam. Era um dia que convidava à aventura, e era impossível permanecermos sentados quietos na velha varanda raquítica de Oneh onde os tijolos se desmantelavam ao menor contato. Eu estava riscando um destes símbolos perpétuos – letras a serem cortadas em pedra e traçando ao lado deles os sinais abreviados usados para serem escritos em cima de papel – quando de repente certa palavra esquecida de Oneh, determinado fulgor estranho dentro de mim, falou e deu vida àqueles caracteres. Os desenhos se tornaram uma palavra, a palavra uma sílaba e a sílaba uma letra. Quando juntei desenhos a desenhos novas palavras irromperam – palavras vivas, inteiramente distintas dos símbolos. Qualquer rústico pode compreender um desenho; mais dois juntos só têm sentido para um literato. Creio que quem quer que haja aprendido a escrever e a ler sabe que é que estou querendo dizer. Para mim tal experiência se tornou mais fascinante do que arrebatar uma romã o cesto de um vendedor de frutas; mais doce to que uma tâmara seca; tão deliciosa como para o sedento um bom gole d água.”

Mika Waltari em O Egípcio

A BARCA


A Barca transpõe as margens da lagoa... A imensidão escorre nas gotas brilhantes de sol.

A Barca corre, patina, desliza na solidão cristalina. Cristalina, nos Olhos-Que-Tudo-Vêem, templo do olho já morreu, jazigo de ouro nasce e permanece. Osíris, flor molecular, abre os braços e carrega a Barca nas Brumas de Avalon. Aquela múmia, à beira da lagoa, toma o posto de Ishtar, a deusa estrela, que some na ilusão solar. “Devolva as oferendas, deusa, que seu povo já morreu!” O Templo do Olho fechou as pálpebras aos brilhos de Amon e Aton. Ilusão atômica, pó-de-estrelas. A Barca corre dos papões de luz: buracos negros, trançados entre os átomos sinfônicos. Devastada a tradição, morrem as gigantes do deserto. Túmulos de história, não de homens. Mausoléus genéticos do mundo.

Gandhi é um sonho inatingível. A Guerra, a personalidade ilógica do homem.

Maiakovsky revoluciona! Akhmátova grita! Fernando Pessoa delira sabedoria... A Barca transpõe limites irreconhecíveis. Jackson Pollock dança Duncan em sua arte e o índio Dom Juan tem mais vida do que os vivos.

Elvis Presley e George Balanchine escandalizam os tolos.

A Besta segura a tocha.

E a Barca desliza...

Imita a eternidade em versos irrecuperáveis.

O Homem se virtualiza , não com a virtude, mas com a internet.

A natureza agoniza. O homem emburrece cada vez mais .

O Templo dos Deuses já morreu...

O Templo dos Homens está morrendo...

Pergunto: O que é a Barca?

Tempo.

Abarca o tempo...

Pergunto: Quem está na Barca?


(Autor: Lara J. Lazo - 11/12/07)

BAILE DE MÁSCARAS







Veneza, século XVIII. Aquele aguaceiro deslumbrante. Preciosidades arquitetônicas. Carnaval. Coladas às faces, máscaras de ourivesaria. Uma beleza. Em slow motion o cortejo feliniano cruza pontes e acena a sensuais gondoleiros de camisetas azul e brancas. O sol se põe ao fundo da cena italiana.
Espanta Barata, interior de São Paulo. Brasil, século XXI. Vinte e um? Desculpe o equívoco leitor amigo. Eu quis dizer século XII, com todo ar de medievalismo. Um charme a mais . Pois é, em Espanta Barata o Carnaval também dá andamento a suas alegorias patéticas. Ah, que deleite observar a movimentação das libélulas deslumbradas, dos Ogros decaídos, papagaios, periquitos, cágados e burros chucros na dança pelo “poder” nas próximas eleições. Repetem-se máscaras e fantasias. Tudo por dinheiro. “O povo? Que povo? Este “ pessoalzinho de merda que não tem onde cair morto?” – dizem os arquitetos de estratégias podres para estabelecer administrações igualmente podres, viciadas, falidas e anacrônicas.
Se você quer assistir a estas disputas o conselho é: fique na arquibancada. Sem pagar, é claro, porque o espetáculo é deprimente e não vale um tostão furado. Só vale pra gente refletir sobre o ridículo, o mal acabado, o palhaço, o boçal, o circo e a inquisição.
Em Espanta Barata, o tempo parou. Nada muda por aquelas bandas desde que o Big Bang se deu conta de si. E nós, os que por aqui humildemente observamos, nós os que temos atividade cerebral consciente, os que trabalhamos realmente pelo bem comum, nós os efêmeros e passageiros, nos tranqüilizamos . Manobras apodrecidas são para os sem capacidade de articulações inteligentes.
A gente fica assim, espiando de longe, ao largo, vendo as lagartas a devorar os próprios rabos(e os rabos dos outros). É uma jogatina sem igual, um alisa daqui, trucida dali, nem Sherazade conseguiria ser tão criativa em suas mil e uma noites. Personagens grotescos que rezam em benefício próprio pela cartilha da grana fácil e da pose embonecada.
O mais interessante de contemplar este processo é prestar atenção nas idéias brilhantes dos envolvidos, como por exemplo mandar uma carta cumprimentando o dono da quitanda porque ele colocou um cartaz na porta: “NÃO PONHA OLHO GORDO NO CHEIRO VERDE” . Ou então presenciar a instalação de uma comissão que vai averiguar quantas joaninhas tem pra cada pulgão nos pés de couve. Isso é de uma relevância tão fundamental que é de deixar a gente sem fala. Aliás, pelo resto da vida.
A nós, os humildinhos, os cientes de sua pobre condição humana esmagada sob o peso de milhões de vias lácteas, a nós realmente resta um olhar embevecido de compaixão a esta escória politiqueira desalinhada e vazias e os versos de Quintana: “estes que aí estão a atravancar o meu caminho, eles passarão...eu passarinho.”


Maria Fernanda

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

PEGA LEVE, IRMÃO!!!


IRMÃOS, estamos nos finais dos tempos, na beira do abismo... Tudo finda:

finda-a moralidade e finda-a ética;

finda-o recato e finda-o cinto-de-castidade;

finda-o saião, Pindamonhangaba (opssss)

finda-o-pó-de-café, finda a água-benta

finda-a polenta e finda-a calça de tergal do secretário;

findam-o fio-dental e o papel higiênico.


Já-que está tudo uma M_E_R_D_A (No blog não se pode dizer certas palavras, irmãos, então soletremos pausadamente), oremos:


- pela cesta-básica, que o amásio da cunhada do compadre do seu vizinho recebeu (um pacote de bolacha Marta; um suco Morto, mas não te Mato; um pirulito de Zoião e uma lata de Corumbá em conserva, com picles de salsichas emboioladas, quer dizer, embaladas a vá-cú-ooo)


JACA-GUEI


- pela visão político-ecológica, que fez brotar bolor verdinho e ácaros bem nutridinhos numa vasta coleção de livros públicos. A essa sumidade, responsável por feitos de tal magnitude, de causar inveja a qualquer tsunami:


JACA-GUEI


-por todos (-as) os que se submetem ao estrelismo, jaquismo, bichismo, burrismo, machismo, cultismo, exibicionismo, achismo e pseudo-perfeccionismo, irmãos...:


JACA-GUEI


Cantemos:


Louva e ajoelha-te

Põe-te a carregar

Os Fardus du senhor

SALVE

Como pesa a Jaca "Santa",

Que assenta-se pesada-mente,

No trono eterno da ociosidade,

Da ogrosidade,

OH!

AVE, AVE, AVE, chester

Peru, glu, glu, glu, glu


SALVE OGUM!


(Autoras: Fernanda Laurito e Lara Jatkoske Lazo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tem que ter Karma


É preciso ter karma!

A gente vê que há gente preocupada com a vida alheia, em determinar os pecadores e os escolhidos do Divino...

Mas, não faz mal, não!

Foi no mercadinho, não foi? Levou uns trocados e comprou... uma jaca?!

Eu sei como é... Saiu caro, né?!

Karma! Não se desespere!

Comeu a jaca e a coisa esparramou e ficou entalada na garganta?

Karma, que ela desce... Bate duro no estômago e deixa a cuca meio tonta, mas é mole...

A jaca dura muito tempo e vai entalando, entalando, comprimindo a mente e melecando a alma. Em seguida, fica muito mole mesmo.

Efeitos colaterais de jaca não são fáceis, mas para tudo há cura! O Olho da noite tudo vê; o Olho do dia tudo revela.

Liga-se no Dharma e faça reza brava, que de pouquinho a jaca vai minguando.

Ação e reação, é assim mesmo!

A vida é música... Alegria... Vamos cantar...:

Nessa Jaca tem bicheira,

Não Bixa ni mim, não bixa ni mim, não bixa ni mim.

Nessa Jaca tem bicheira,

Esqueci di mim, esqueci di mim.

DESJACA (ou, se preferir: DESJAQUE) a sua vida e acorda!

Sorria!!!!!!!!!!!


DESJACA TUDO!!!!

(autor: Lara J. Lazo)



A HISTÓRIA REAL

Jaca é um pequeno município localizado no Valle de Aragón, na Província de Huesca, no Nordeste de Espanha. Está situada mesmo no centro dos Pirinéus, junto à fronteira francesa. É a capital da comarca da Jacetania.

A HISTÓRIA SURREAL

Jaca vive em um pequeno município localizado no vale do
Corumbatai, é fresca, peste e tacanha. Situa-se no centro dos fariseus, junto à lampeira fraqueza. É a “maioral” das jacas doidivanas.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Oração Contra Jaquice e Gosmas Semelhantes


Oh, deuses, de todos os olimpos!!!!!
Livrai-nos de tanta mentira...
De tanta injustiça e falsidade...
Livrai-nos da jaquice que nos consome a dignidade...
Livrai-nos dessa sina deprimente, inculta e caquética!

Oh, deuses, de todas as sortes!!!!
Salvai-nos, please, de passar dias futuros
Sob tão má e vazia influência...
Da perversão dos valores educacionais,
Da imposição religiosa e estulta,
Pela síndrome de santismo do pau-oco.

Oh, deuses, de todos as culturas!!!!!!
Libertai-nos da mansidão tola do povo alienado,
Das infundadas práticas religiosas em ambiente escolar,
Daqueles que se dizem tão religiosos
E cometem mais crimes do que os ateus.

Oh, deuses e deusas!!!!!!!!
Ouçai-nos agora
Nesta oração singela,
Que soa a um triste lamento!

Salvai-nos da sina jaquenta,
Livrai-nos desse melado gosmento,

Que assim seja!

SAI, JACA!

(Autor: Lara Jatkoske Lazo)

sábado, 1 de dezembro de 2007

O FRASCO DAS VINTE AGULHAS





Numa reentrância de Gaia jaz o pequeno frasco transparente. As agulhas, acondicionadas como chineses em seus distritos, ou como uma cultura de bactérias in vitro, respiram . Moléculas de oxigênio movimentam-se , espremidas umas contra as outras, banhando-as no recipiente: nano câmara hiperbárica.
Augusto dos Anjos se revira entre vermes, estupefato, diante das unidades léxicas que poderiam ter saído de seu putrefato cérebro. Estupefato, putrefato, as palavras traiçoeiramente arrogam a si mesmas a atenção do leitor, escandalosas como pavões multissilábicos à revelia do contexto.
Mas as agulhas...ah...as agulhas. Cientes de seu espetar inconsciente. Intuitivas porém capazes de cravar dogmas. Títeres anoréxicos com poder concentrado: do macrocosmo da reentrância de Gaia ao microcosmo dos meridianos. Travessia, aprofundamento, o coser dos paralelos, das multiplicidades.
Inicia-se a viagem.
O rosto é sempre o mesmo rosto. A pegada nem sempre é a mesma pegada. Pegadas voláteis, táteis, dissolvidas no éter. Que éter? O etéreo, aquele de algum hemisfério conturbado. A dança simbiótica do corpo na vertical, e o corpo na horizontal. As agulhas clamam, escapam, oxigenadas pelo condão da função. Dardos enfeitiçados na luz própria da intenção alquímica do verso.
Verso? Reverso? Dorso? Tarso? Metatarso? Meta linguagem, meta-se a cura através da aninhagem do toque no ponto. E pronto.
Penumbra.
Desdobramento.
Dormitam as conexões em suspensão...os órgãos acolhem o impulso, pulsa o pulso em alfa. Ansiedade básica; escorrem as impurezas pelo pé da mesa, da cama, no chão, anjo da morte que tinge a porta do recinto. Morte? Minto...Sorte: serpente do labirinto.
Estado de semi consciência, passeiam escaravelhos espantando os maus espíritos entalhados nas paredes frias, impessoais. Quantos gemidos, alguns ais, a intimidade encapsulada em containers assepticos, insípidos, inodoros e incolores.
Entra o xamã.
Aperta o play, finda-se a pausa. O fluxo retoma seu atávico curso, moléculas , átomos, esferas, tudo volta à dança primeira . Uma nova cena recomeçará, esforço sobre humano , insano, multidimensional. Editada pelo cotidiano:

cada dia uma viagem astral.


Maria Fernanda Laurito
Julho/2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007





A teoria da não existência de Deus fazia muito sentido. Ali meio difuso, holograma de mim mesmo, boiando naquela imensidão de éter, eu me deixara. Bendita sorte de encontrar-me pulverizado assim, um organismo indecifrável. Misturado, germinado, empoeirado, calcinado, deformado. Nem estrutura mais. Ah! Quão maravilhosa a sensação de, enfim, topar com a verdade escancarada: nunca houvera um criador . Eu apenas, criatura autopoiética. Bendita hora em que os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio. Enfim a possibilidade de emaranhar-me em outras cordas. A musicas das esferas, tornando-se, por reverso , fonte de inspiração. Dívida de gratidão eterna, tão singela a maternidade. Tocante.
Ainda sob o efeito alucinógino da dissolução, vibrava. Inebriado ante a reconfortante ausência do Infundado, gozava. Profundamente comovido com a agudeza de espírito de mamãe, refletia... Poder ser pó, formular acordes sem estar de acordo. Fazer dobras na consciência , origami desorientado. O deleite de um tom desafinado!
Bastou um toque certeiro e o tempo retrocedeu. Tempo? Um lapso, um susto, elegia descompassada a algo que sou eu. Alegremente fui-me... e minha mãe nem gemeu.

Maria Fernanda (saiu no site da PIAUÍ - out/2007)

Como lemos



De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. maluco não???

terça-feira, 13 de novembro de 2007

JACATACAINDO

Jaca tá caindo
Jaca tá brotando
Jaca sem sentido
Jaca sai rolando

Jaca cai na beira
Jaca da aldeia
Jaca sem sentido
Jaca dá besteira.

Jacatacaldeia.
Jacatacafeira.
Jacatacomendo.
Jacatacadeira.
Jacatacou
Jacou!

Vou!
(Lara J. Lazo)

domingo, 11 de novembro de 2007

A TASCA DA MARIA MORCEGA





Tasca quer dizer botequim.

E era uma vez Maria Morcega. Vivia num lugar muito interessante: mistura de paraíso e fim do mundo. Maria Morcega tinha uma pequena taverna de aldeia, algo assim como um recanto, onde se abrigavam peregrinos para descansar após longas jornadas. A energia do lugar e suas peculiaridades, sons de passarinhos e cheiros de especiarias, acalmavam os viajantes.
Porém (e sempre há um porém) Maria Morcega tinha um traço de caráter peculiar: via o mundo de ponta cabeça. Portanto era de uma lucidez irretocável. Sob sua ótica, a lógica com a qual todos os seres estão acostumados simplesmente se invertia. O planeta da Maria era livre de todos os rótulos impostos desde sempre. Sua visão da vida representava um conceito novo de enxergar as coisas. Novo? Não era novo...o conceito era apenas desconhecido, “invisível” aos comuns mortais. Sempre estivera por aí e no mundo doido de agora, brotava dos confins da obscuridade e mostrava-se prenhe de possibilidades. Um conceito grávido de padrões possíveis, todinho à mostra. Em outras palavras: A Morcega entendia que nem tudo é como se vê, mas quase tudo pode ser como a mente deseja. A realidade é uma brincadeira de massinha, uma bobagem pra não se levar a sério com tanta ênfase e burrice como se observa por todo lado.

Maria Morcega sabia que existiam outros como ela e até já tivera a oportunidade de conhecer alguns: viandantes de passagem, que vindos de lugares distantes lhe diziam “neste século em que estamos, muitas coisas já perderam a razão de ser...o mundo manifesta-se mais veloz, mais complexo, e saber pensar sobre isto é a chave que abre muitos caminhos”... Estes “comparsas”, cúmplices nos mesmos universos paralelos, seres com olhos esbugalhados no meio da testa, formavam com Maria Morcega o clube dos que estão atacados de lucidez perplexa.

Já os comuns mortais, principalmente os aldeãos, por ironia os que enxergavam com dois olhos em plena luz do dia, encontravam-se irremediavelmente cegos. Também freqüentavam a Tasca falando sobre amenidades como “será que o Corintians vai ser rebaixado? “ ou “ se Deus quiser encontro minha alma gêmea” , observações tratadas como os mais profundos e significativos postulados filosóficos. Perdiam-se em divagações horizontais surfando na casca da serpente, enquanto no fundo da Tasca, as ondas eram vibracionais e o povo de um olho só, pendurado no batente das portas pra outras dimensões, despregava-se aos poucos e voava na crista do Dragão .

São existências paralelas a de Maria Morcega e seu bando e a dos comuns mortais e sua legião. Não há mais, nem menos. Alto nem baixo. Claro ou escuro. Melhor ou pior. Pólos apenas, magnetizados...um conduzindo a ilusão do que já ficou pra trás; o outro atônito diante das incertezas que tornam certo que tudo mudou de aspecto. Vetores da novidade milenar instalada. Assim seja.


Maria Fernanda Laurito

sábado, 3 de novembro de 2007

AVE, JACA!



A odisséia nervosa de uma jaca nervosa, num ogrosistema de captação de estagnação cultural.

Cuidado para a jaca não cair em sua cabeça!!!!



(Lara J. Lazo)


(Imagem retirada da revista Veja, 2007)

Cantemos a Jaca


A musa Jaca, no templo da poesia!

Pena os romanos não terem descoberto as qualidades da jaca... Virgílio, Ovídio, Horácio e todos os maravilhosos poetas clássicos da antigüidade. Hoje teríamos muito mais poesias sobre ela, tão belas como a que se encontra aqui ao lado.

Poetas modernos, se inspirem na Jaca e criem à vontade; se lambuzem no néctar dos ogros. Jaca é feita para ser cantada!

(Lara J. Lazo)

(imagem retirada da revista Veja, 2007)

A Odisséia Continua (ou contínua?)


A musa Jaca, no templo da música.

Se fosse nos tempos da Grécia Clássica, já existiriam tantas estátuas de jaca, nos museos de antigüidades...

Mas há lugares, garanto, onde jaca anda!


(Lara J. Lazo)


(retirado da revista Veja, 2007)

OS OGROS



No dicionário o significado está: “bicho-papão; ente fantástico”.
À primeira vista achei a explicação muito simplória, já que a idéia do bicho toma toda minha tela mental quando nele penso. Mas após estacionar um tiquinho no conceito, resolvi concordar com o Michaelis (... ninguém ainda me deu o Houaiss de presente, alô galera...).
Um ogro é realmente um ser fantástico e papa tudo que vê pela frente.
Se um ogro incomoda muita gente, muitos ogros incomodam muito mais. E existem ogros e ogras. Nem de longe se parecem com aquelas belezinhas do Shrek .
Estes sobre os quais falo infestam os arredores e têm as mais diversas formas: não são necessariamente gordos (embora também o sejam), nem necessariamente ateus. Uns tem mais cultura do que os outros, mas, invariavelmente, são seres unicelulares, portanto, com uma capacidade limitadíssima de elaborar qualquer coisa, seja um raciocínio de bom senso, seja uma atitude razoável, seja uma iniciativa louvável.
Segundo Elisabet Sahtouris em seu livro A Dança da Terra, “o mundo de criaturas unicelulares em uma gota de água é provavelmente semelhante ao que era há bilhões de anos, quando não havia criaturas maiores.” Deduzimos desta interessante fala da bióloga grega que seres unicelulares num minúsculo espaço são sempre os mesmos, reproduzem os mesmos comportamentos desde que o mundo é mundo.
Voltemos aos ogros: por analogia com os organismos unicelulares, ogros aglomerados numa pequena aldeia fictícia, por exemplo, conseguem mantê-la na idade paleolítica: descoberta do fogo e ferramentas de pedra lascada. É de lascar!
Para conseguir sobreviver, logicamente, um ogro ou ogra com esta estrutura mental precisa se juntar a outros. E é exatamente o que se observa nas povoações rústicas humanóides dos contos de fadas e demônios: hordas de 10 ou 12, no máximo 24 (!) papões papando nosso dinheiro, nosso espaço, nossos desejos de evoluir, nossa educação e nossa cultura. Seres fantásticos(no pior sentido do termo) que fazem a festa sozinhos e se lambuzam com os restos mortais dos inocentes úteis.
Todo mundo já viu um ogro soltando rojão e correndo atrás da vareta. Como já vimos os bichos encabeçando benevolências ao pobre povo (um sorvetinho aqui, um band aid ali), enquanto enchem os bolsos. Também já presenciamos ogros beatos que do alto, bem alto de suas podres convicções arrotam preces igualmente podres em direção aos incautos. E o que falar de ogrinhos arrogantes em cima de muros políticos ou balançando de acordo com o vendaval eleitoreiro, armando arapucas escondidas por detrás de favos de mel???
Será que merecemos?
Quem nunca prestou atenção nos ogros, de uma espiada em volta...Depois me escreva dizendo se não tenho razão. Aqui, do alto do meu castelo, observo sem ograr e sem perder a lucidez; só a cultura, o estudo e o conhecimento podem nos imunizar contra essa raça...mas tenho pena dos que são arrastados pela enxurrada.

Abaixo os ogros!!!!!!!!!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Eru(eros)dição


SENINLE SIKISMEK ISTIYORUM.


BENI TUM GECE SIKMENI.


SENIN ILE SEHVET DOLU BIR GECE ISTIYORUM.


DUDAGINA PARMAGINLA ILE DOKUN ISTIYORUM.

AZUIS DA COR DO MAR



Eles estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Vem chegando há mais de dez anos. Estas crianças têm-se tornado reais e assombram os mais experientes com suas ações, palavras e idéias. Você nunca se surpreendeu com a atitude de alguma criancinha? São constituídos de outra energia vital e sentidos como a esperança do presente e uma ponte fundamental para o futuro. São pequenos seres que povoam nossos lares e escolas, muito mais evoluídos que nós e é com eles que devemos aprender a quebrar nossos padrões cristalizados de comportamento; nossos desejos mesquinhos de poder, nossas máscaras deformadas coladas ao rosto, vestimentas com prazo de validade vencido.
Os “azuis” frequentemente acham caminhos melhores que os nossos para resolver as coisas.São vitais neste mundo tão conturbado, porque conseguem através da forte intuição enxergar além das três dimensões. Estão aí para nos ensinar e muitas vezes são vistos como indisciplinados, rebeldes e anti-sociais. Mas são os seres que representam a única esperança real de revitalização das forças do bem neste universo irreal. São os que movem energias a favor da superação do desastre planetário e humano anunciado e já em curso.
A todos nós adultos, pretensos formadores de opiniões, pais, professores, cabe a lucidez mínima e a humildade de perceber com quem estamos lidando. Cabe a reflexão sobre este novo aspecto da existência materializada. Assim, quem sabe, possamos deixar de cometer verdadeiras barbaridades contra miúdos e adolescentes, taxando-os de desobedientes, incapazes, inúteis, ineficazes, infelizes. Numa sala de aula, certa feita, podia-se ler num cartaz pregado na parede: “Você não nasceu para voar”... Estas falas anacrônicas e medievais, desconectadas do sonho e da compreensão, rasas e estéreis por natureza, podem servir apenas para destruir nas entranhas da terra fértil, as sementes de uma outra humanidade, mais equânime e evoluída, azul da cor do mar.


Maria Fernanda Laurito

Piripaque no Navegador


Navegar é preciso?


Depende do fluxo das ondas, carregadas de fótons ou bichos marinhos , luz ou numerinhos, bonitões ou bonitinhos. Quem navega chega a parte alguma. Dá voltas e se perde na imensidão do imedido, nooesfera camaleão. Nós não somos nós, vocês não são vocês e ninguém é ninguém, tá todo mundo no além...ou no aquém? Mar? Mar, praia - sol, interface, surf, tela de proteção, Matrix tá caduco, vídeos criaturas sem tesão...ou com? Ponto com.

Turbulência, temporal, ponte virtual por onde atravessa ...Aqua pi pir , peixe- água, redemoinho numérico, tela quadrada, equação cerebral, sem vida orgânica. Isso é só uma vida mental. Fecundante, mutantes. Casulo genial? Buraco "negro", nicho anti-matéria, vórtice sugador que aloja espíritos. Não, não queremos...DESEJAMOS ARDENTEMENTE.

SOMOS DEUSES.


(Lara J. Lazo e Maria Fernanda Laurito)

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Decifre!

"Não te deixarei entrar na Sala, disse a maçaneta da Porta, a menos que me digas meu Nome oculto.
O-Olho-fonte-de-Vida-do-deus-Sebek-o-Senhor-de-Bakhau, eis teu Nome."

(Do Livro Dos Mortos Do Antigo Egito)